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10 de nov de 2016

Sem recursos do MEC, as Apaes irão fechar até 2016

Sem recursos do MEC, as Apaes irão fechar até 2016

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), que há 60 anos tem como objetivo proporcionar o desenvolvimento, a integração e a inclusão na sociedade de portadores de necessidades intelectual e múltipla, pode estar com os seus dias contados.

Escrito por Jornal Edição do Brasil em Geral - 
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Helder Silva: “É necessário um conjunto multidisciplinar.
Além dos professores, eles precisam de
fonoaudiólogos, médicos, etc”
(Foto: JEditorial)

*Andreza Cruz e Felipe José de Jesus 

Tramita no Congresso Nacional, a Meta 4 do Plano Nacional de Educação (PNE), criado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), que propõe suspender toda a distribuição de recursos advindos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Caso o PNE seja aprovado pelo Congresso, todas as Apaes serão extintas até 2016.
O MEC declara que o atendimento de estudantes com deficiência precisa ser feito de forma integrada e por meio de um conjunto de ações para garantir o pleno desenvolvimento deste público. Uma das ações neste sentido é o financiamento, através do Fundeb, da matrícula dos estudantes com deficiência nas escolas regulares e também o custeio do chamado atendimento educacional especializado.
Ainda segundo o MEC, os estudantes com deficiência têm especificidades e precisam ter atendimento mais individualizado e que é fundamental para esse aluno acessar as escolas regulares. Além disso, ele reforça que a medida auxilia os estudantes que não possuem deficiências a aprender a lidar e respeitar as diferenças. Já questionados se as Apaes deixarão de existir visto as manifestações de pais e alunos, o MEC diz que quer construir uma política educacional inclusiva com o apoio de todos e que provavelmente elas não serão extintas.
De acordo com a procuradora jurídica e secretária executiva da Federação das Apaes do Estado de Minas Gerais (Feapaes-MG), Maria Tereza Feldner, o PNE é um retrocesso. “Em Minas existem 430 Apaes que atendem 87 mil pessoas com deficiência intelectual e múltipla e 300 mil famílias direta e indiretamente. As escolas regulares não estão preparadas para receber essas pessoas. Não existe um número de profissionais adequados pela pluralidade”, ressalta.
Feldner informa que o plano é reversível. “Quando o PNE foi para votação na Câmara, ele foi revertido com alteração no texto para que as Apaes sejam mantidas, agora ele precisa ir para o Senado Federal. Porém temos o relator José Pimentel que quer voltar com o texto anterior que determina o término dos financiamentos que mantêm as associações funcionando”. Segundo a procuradora, o principal problema da aprovação do PNE é tirar dos pais a opção de escolha de onde querem que seus filhos estudem. “Não somos contra a inclusão, mas somos a favor de uma inserção responsável onde às características do indivíduo são analisadas”.

Despreparo das escolas regulares
O coordenador pedagógico da Apae/BH, Helder Henrique da Silva, afirma que o modelo de escola no Brasil é ultrapassado e se encontra atualmente em crise. “Esse tipo de ensino se caracteriza pelo agrupamento de pessoas sem considerar suas singularidades. Professores estão adoecendo devido à falta de condições, violência e estresse. Essa questão mostra que as escolas estão paradas no modelo do quadro de giz, onde não existem espaços amigáveis de aprendizagem”.
Silva ainda comenta que essas crianças precisam de vários profissionais para ajudá-las em seu desenvolvimento. “É necessário um conjunto multidisciplinar. Alem dos professores, eles precisam de fonoaudiólogos, fisioterapeutas, médicos, assistentes sociais, etc”.
Ao ser questionado sobre a informação obtida pelo MEC, onde é afirmado haver uma preparação dos professores, Silva diz que há uma carga de demagogia nessa argumentação. “Além de não acreditar nessa proposta, nós não verificamos esse preparo. Por exemplo, um autista precisa de um ambiente estruturado com diminuição de estímulos, pouco ruído e um número menor de pessoas. Agora um aluno sem deficiências que precisa de painéis, ruídos, cores para aprender vai conviver no mesmo meio? É incompatível”.
Helder Silva conclui avaliando que o dinheiro que era destinado as Apaes, provavelmente irá para outro lugar. “É um caso de isolamento mesmo, as Apaes irão fechar! Se as receitas do Fundo Nacional forem cortadas, as instituições se extinguem ou começam a cobrar pelos seus serviços”.
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A professora Roseli Gomes: “Existe um
ou outro aluno que está preparado para ser
incluído na escola regular, mas não são todos”
(Foto: JEditorial)

Mães e professores
A professora da Apae/BH, Roseli Barbosa Gomes, diz que essa mudança não é uma boa ideia devido ao grau de comprometimento dos alunos. “Aqui é o local deles, é onde se sentem bem. Se as Apaes tiverem que fechar, eu não sei o que será de nós. Enquanto professores, a gente pode ir trabalhar em qualquer lugar, mas e os meninos? Existe um ou outro que está preparado para ser incluído na escola regular, mas não são todos. Por experiência nós sabemos que nossas salas têm que ter no máximo 12 alunos para que o professor consiga atender a todos, nas escolas regulares são 40”, salienta.
Sandra Rúbia, mãe de Breno Soares, 17, portador de paralisia cerebral, afirma ter ficado sem chão com a notícia do possível fechamento das escolas. “Meu filho não tem condições de estudar em nenhuma outra escola. É muita escada e os professores não estão preparados. Não que eles não sejam capazes, mas é uma questão de aprendizado. Estou apavorada, perdendo noites de sono porque meu filho vai ter que ficar em casa, parado, perdendo todos os anos de avanço que ele teve. A gente sabe como as coisas estão complicadas nas escolas para quem anda e fala, imagina para ele. Como vai se defender? O povo está mandando a gente incluir, mas fazer isso sem preparar?”, indaga.
Neusa Aparecida Bonadio Guedes, mãe de Enei Guedes Junior, 43, autista, informa que sempre pagou caro para manter seu filho em escolas particulares especializadas em cuidados de crianças com deficiências. Porém, após o fechamento da última escola, eles foram direcionados para a Apae. “Eu tinha um preconceito bobo com as Apaes, não queria meu filho no meio de um monte de outras crianças. Foi quando percebi a evolução dele. Enei é muito independente agora, faz o seu próprio almoço, estende roupa, o quarto dele é mais arrumado do que de uma moça. E ele é muito feliz aqui, tem um monte de amigos. Hoje, eu sou muito suspeita para falar da Apae, sou ‘apaiana’ de vestir a camisa e lutar por ela”, afirma.
Para Silvane Albuquerque que tem dois filhos, sendo um portador de paralisia cerebral, as escolas regulares não terão estrutura para atender o seu filho Lucas, de 8 anos. “Não consigo imaginar o meu filho em uma escola onde os alunos batem uns nos outros e não respeitam os professores. Levo o Lucas em uma clínica especializada que só cuida de crianças portadoras de necessidades especiais. Lá os médicos, psicólogos e outros especialistas da área de saúde e educação estão sempre prontos para qualquer problema. Não acredito que uma professora que cuida de uma sala cheia com mais de 20 alunos teria tempo para atender a uma necessidade do meu filho, ou de outra criança nesta mesma condição. Falta preparo. O fim das Apaes em minha opinião é inconstitucional, é um tiro a queima roupa para todas as mães de crianças especiais”, finaliza.

Sem avanço 
No dia 2 de setembro, a presidente da Federação Nacional das Apaes (Fenapaes), Aracy Lêdo, a coordenadora Nacional de Educação e Ação Pedagógica, Fabiana Maria das Graças Soares Oliveira, e a procuradora Drª Rosangela Woff de Moro Quadros, foram recebidas pela representante da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), Macaé Maria Evaristo dos Santos, e sugerirão algumas mudanças na Meta 4, do Plano Nacional de Educação (PNE). De acordo com a assessoria de imprensa da Federação, não houve avanços nas reivindicações discutidas na reunião sobre o congelamento do financiamento para as escolas especiais no que se refere à educação escolar.
fonte:http://www.jornaledicaodobrasil.com.br/site/sem-recursos-do-mec-as-apaes-irao-fechar-ate-2016/

2 comentários:

  1. O governo se faz de cego, o que chama de inclusão é demagogia, hipocrisia e cinismo, que podemos chamar de economia de dinheiro público.Para fazer "economia" O GOVERNO abandona prioridades para a sociedade, os pais e os profissionais de educação de todo o Brasil, como é o caso das APAEs, Enquanto isso há gastos abusivos e supérfluo de dinheiro público. Um exemplo são os incentivos milionários aos artistas e eventos que não precisam, e nem deveriam usar dinheiro público para fazer o que chamam "arte" e que nada acrescenta a sociedade.
    O que o governo está chamando de inclusão é um depósito de alunos abandonados e ignorados.O que o governo chama de inclusão é colocar alunos com capacidades e deficiências variadas em uma sala de aula com apenas um profissional. Para um professor, essa situação é impossível, fisicamente e intelectualmente.

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