SÃO PAULO – As manifestações agendadas para o próximo domingo (13) poderão ser um forte indicativo para a saída da presidente Dilma Rousseff do poder, de acordo com a consultora e gestora de recursos Inva Capital. “Caso as manifestações sejam tímidas, o Ibovespa deve recuar e o dólar subir, pois com a continuidade deste governo, o cenário econômico de 2017 será bastante ruim”, destaca a equipe da casa em carta de investimentos para março.
Em relatório, o IIF (Institute of International Finance), organização que reúne 500 instituições financeiras do mundo, afirma que as manifestações podem “virar o jogo”: “Se o comparecimento for significativo, os legisladores que apoiam Rousseff poderiam facilmente abandoná-la, aumentando bruscamente a probabilidade de uma votação pelo impeachment em abril ou maio.” 

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No Facebook, a página principal do evento dos protestos, que ocorrem em todas as 26 capitais e no Distrito Federal, contava com a adesão de cerca de 187 mil pessoas nesta segunda-feira (7). Desde o dia 24 de fevereiro, o número de "confirmados" triplicou. Além disso, outras cerca de 61 mil pessoas tinham o “interesse” em participar dos atos.  
Sobrevivência “improvável”
A Inva Capital segue acreditando que Dilma não conseguirá terminar o seu mandato e lembra que, com a alta do Ibovespa e a queda do dólar ao fim de fevereiro, o mercado financeiro também passou a acreditar nesta possibilidade.
“A incerteza é a única certeza” no país, segundo o Institute of International Finance. As investigações relacionadas à Operação Lava Jato estão atingindo camadas cada vez mais profundas e a detenção do ex-presidente Lula para interrogação pela Polícia Federal na última sexta-feira enviou um sinal poderoso de que “ninguém está acima da lei”.
O ímpeto para um processo de impeachment da presidente poderia ser reforçado caso as alegações de má conduta de Dilma Rousseff – em acordos com políticos de destaque e empresários – provarem-se verdadeiras: “A possibilidade de que a presidente sobreviva a seu mandato parece cada vez mais improvável.”
ProtestoNúmero de participantesEvento mais relevante no Facebook
ConfirmadoInteressadoC+IConvidadosOrganização
15/03/20152.400.000150.00015.000165.0001.000.000Impeachment Já
12/04/2015701.000     
16/08/2015879.000100.00011.000111.000905.000Vem pra Rua
19/10/20152.0008.5001.300 9.80072.000Vem pra Rua
13/12/201583.00013.000 8.00021.000225.000Vem pra Rua
13/03/2016*-187.88861.597249.4852.974.451Vem pra Rua
* Dados de 07/03/2016.

As manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff
SÃO PAULO – As manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, convocadas para o próximo domingo 13 dificilmente serão um fiasco. A avaliação é da Arko Advice, consultoria especializada em elaborar cenários políticos. Em relatório divulgado nesta quinta-feira (10) e assinado pela equipe do cientista político Murillo de Aragão, a Arko afirma que “a expectativa para os protestos é que haja um número igual ou superior ao de 15 de março.”
Naquela data, há um ano, os protestos pró-impeachment atraíram cerca de 3 milhões de pessoas em todo o país, segundo os organizadores, e 2,4 milhões, de acordo com a Polícia Militar de cada Estado. O número foi suficiente para disparar o alarme do governo, que passou a temer cada novo ato convocado por grupos como o Vem Pra RuaMovimento Brasil Livre e Revoltados Online.

As manifestações posteriores, porém, nunca alcançaram o nível daquele 15 de março. A última, realizada em 13 de dezembro, atraiu 500 mil pessoas, segundo os organizadores, e menos de 100 mil, pela PM.

Agora, a Arko lista quatro motivos que devem potencializar a adesão aos protestos deste fim de semana: a) o avanço da Lava Jato; b) as investigações atingiram o ex-presidente Luiz Inácio Lulada Silva; c) a piora da economia; d) a incapacidade de o governo superar a crise política e econômica. “É pouco prável que [o protesto] seja um fracasso”, afirma a Arko.
Vem Pra Rua


O líder do Movimento Vem Pra Rua, Rogério Chequer, informou em primeira mão àJovem Pan que os grupos pró-impeachment convocam uma "mega-manifestação" para 13 de março de 2016. Neste domingo (13) protestos pelo impedimento da presidente Dilma ocorrem em todo o País.
Kim Kataguiri, líder do Movimento Brasil Livre, outro dos principais grupos que apoiam a pauta, confirmou a chamada. Ele ressalta também que a convocação marca a proximidade do "aniversário de um ano da manifestação de 15 de março (de 2015)".


De acordo com as contas dos grupos, espera-se que na data de 2016, também um domingo, o processo de impeachment aberto por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, esteja em estágio avançado.

"Nós estamos esperando que isso coincida com o processo de impeachment. Se precisar, vamos fazer uma alteração pequena de data. Mas, a princípio, no dia 13 de março o Brasil inteiro vai às ruas numa mega manifestação", explica e convoca Chequer. "Acreditamos, de acordo com o processo e indicações que tivemos até agora (do calendário político do impeachment) que o dia 13 de março vai ser mantido como uma mega manifestação a acontecer antes da votação final na Câmara dos Deputados", disse o líder do MVPR ao repórter JP Tiago Muniz.
"Impeachment não é golpe, ao contrário do que tentam convencer a presidente Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores", acrescentou o líder do MVPR. Chequer disse ainda que não esperava que Cunha acatasse o impeachment em 2 de dezembro. "A gente espera um comparecimento suficiente para começar esse processo", disse sobre os atos deste domingo (13 de dezembro). "É totalmente natural que tenha menos pessoas", avaliou, uma vez que houve apenas 10 dias de divulgação, alega.
"Pressão aos governistas"
Kataguiri diz que o MBL, por sua vez, foca na pressão a "políticos em cima do muro". Ele cita o deputado federal paulista Celso Russomanno (PRB-SP), citado durante o ato, e o ministro do Supremo Luiz Edson Fachin, que pediu a suspensão temporária do rito para análise.
"Nós queremos empurrar essa pressão que a gente teve nos partidos de oposição para os partidos governistas também", disse Kim. "A gente, independentemente dessas manifestações, está fazendo essa pressão constante nas bases do MBL aos deputados (...). Cada estado está fazendo pressão em deputado que está em sua base eleitoral", explica.
Kim também comentou sobre o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). "Ele (Cunha) não tem condições de ocupar o cargo que ocupa", criticou.
*Com acréscimo de informações às 16h20