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Uso do simulador de direção veicular nas auto-escolas


MARCELO MORIYAMA
Resultado de imagem para SIMULADOR DE CARRO CARTA DE MOTORISTADesde o dia 14 de dezembro que o Detran-SP tornou obrigatório o uso do simulador de direção veicular nas auto-escolas para quem vai tirar carteira de motorista e dirigir carros de passeio, na Categoria B. A nova exigência, entretanto, coloca em cheque a estrutura de formação de condutores existente na cidade, que oferece 19 auto-escolas, mas apenas quatro centros teóricos e apenas seis simuladores em três locais diferentes.
O afunilamento no processo de formação de cerca de 480 candidatos por mês na cidade em apenas seis simuladores pode agravar o tempo de espera para a conclusão da habilitação de três para até quatro meses, ou mais. Segundo o diretor da CFC-A JB, Jeferson de Freitas Moreira, ainda é cedo para saber se a nova etapa inserida no processo de formação irá provocar um tempo maior de espera. “Se provocar, creio que não passe de 15 dias, pois é possível agendar as aulas do simulador enquanto se espera pelo exame teórico.”
Com a nova resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), publicada em julho do ano passado, o candidato que for tirar a primeira habilitação terá que fazer, no mínimo, 25 horas de aula prática, sendo que desse total, 20 horas serão em veículo de aprendizagem, sendo quatro horas no período noturno. As demais cinco horas serão feitas no simulador de direção, sendo uma hora com conteúdo noturno (antes todas as 25 aulas eram em veículo real). Quem já tem carteira de motorista e vai adicionar a Categoria B faz 20 horas de aula, sendo cinco horas no simulador. 
“Quem for tirar a carteira agora precisa ficar atento na hora de contratar o serviço na auto-escola, pois na prática a troca de aula prática por simulada não deveria gerar alteração no valor final das taxas, pois o que antes se pagava por 25 aulas práticas, agora são 20 práticas e 5 simuladas”, orienta o diretor da CFC-A/B GT, Valter Galvão. Sua auto-escola é a única a oferecer aulas teóricas, práticas e com o simulador (um equipamento). “Mas ouço dizer por aí que estão cobrando a mais pelo custo das aulas nos simuladores e não estão retirando do cálculo as cinco horas práticas que não são mais dadas.”
No simulador, os alunos têm reproduzidas situações como ultrapassagem, mudança de faixa, direção com chuva e manobra em marcha à ré. De acordo com o Contran, numa segunda etapa será obrigatório o uso do simulador para quem dirigir veículos comerciais, caminhão, ônibus e motos.
A obrigatoriedade de aulas no simulador de direção veicular foi prevista, inicialmente, pelo Contran, e depois suspensa. Em fevereiro de 2014, donos de auto-escolas protestaram nas proximidades do Congresso Nacional contra o uso de simuladores. Eles alegavam que o equipamento custava caro, entre R$ 30 mil e R$ 40 mil, e não traria grandes benefícios aos alunos. Por meio da Resolução 543, de 15 de julho de 2015, a obrigatoriedade foi retomada. À época, o Contran informou que o pedido para a volta da obrigatoriedade partiu dos Detrans de todo o país.
Para driblar os altos custos deste novo sistema, os três centros de formação teórica (CFC-A Marília; CFC-A JD e CFC-A Alfa) também oferecem o suporte para o aluno fazer as aulas com os simuladores, onde o CFC-A Marília (três simuladores) possui parceria com 11 auto-escolas e o CFC JB (dois simuladores) as outras sete auto-escolas. 
O professor da CFC-A Marília, Jonas Júnior Rodrigues, também confirma que o tempo para formação deve aumentar com o uso dos simuladores, mas não arrisca dizer quanto tempo. Ele não sabe dizer se as auto-escolas estão cobrando a mais ou mantendo o valor cobrado até o ano passado, mas afirma que o custo das cinco aulas de formação deve sair em torno de R$ 250,00, R$ 50,00 por aula. “Em tese o valor das aulas práticas, que de 25 caíram para 20, em torno de R$ 50,00 a R$ 80,00, ao serem descontadas, deve ficar mais barato ou igual as contas para o aluno.”
Hoje em média as auto-escolas cobram em torno de R$ 1.200 a R$ 1.400 para formação em carro de passeio ou categoria B e em torno de R$ 1.800 a R$ 2.000 na formação de carro e moto ou categorias A e B. “Eu não alterei o valor do processo de habilitação agora que o simulador é obrigatório. O aluno deve ficar atento a esses detalhes, de aulas práticas menores e acréscimo das aulas de simulador na hora de fechar contrato com as auto-escolas. Se achar que está sendo lesado deve procurar o Procon”, orientou Valter Galvão, da GT.
A nova resolução ainda não atingiu boa parte dos alunos em formação porque entrou em vigor recentemente. “Ainda bem que não precisei fazer as aulas com simuladores, pois uma etapa a mais no processo, com certeza iria provocar uma demora ainda maior na conclusão de tudo”, disse o administrador Mauro Duarte Júnior, 31.
Já a estudante Raira Vitória de Oliveira , 19, diz que gostaria de ter passado por um simulador antes das aulas práticas. “Tornaria mais fácil o aprendizado, mas sem o simulador também aprendi sem problemas a dirigir.”
Alunos reclamam de custo extra para se deslocar até Complexo de Trânsito
A concentração das aulas práticas de treinamento e exames para habilitação no Complexo de Trânsito organizou e facilitou o processo de formação de condutores na cidade mas tornou o acesso ao local mais dispendioso para quem busca o direito de poder dirigir. 
Localizado na Vila Hípica, periferia da Zona Sul, na rua Anita Garibaldi, número 150, o aluno é obrigado a ir até o local das aulas e do exame por conta própria, de carona com familiares, de ônibus ou mototaxi. Aliás, um ponto de mototaxi em frente ao Complexo de Trânsito explora o custo extra na formação dos condutores. Uma corrida do complexo até o Santa Antonieta, por exemplo, chega custar de R$ 12 a R$ 18 por viagem. Em 20 aulas o aluno teria que desembolsar de R$ 480 a R$ 720 para ir e voltar.
Para quem não tem um parente motorizado ou não tem renda extra além dos gastos com taxas, aulas e exames, o custo do transporte coletivo é de R$ 120 para se descolar e voltar das 20 aulas no complexo.
Aliás, o alto custo para se tornar um motorista em Marília fez com que a comerciária Paloma Dias dos Santos, acrescesse aos gastos com sua habilitação de carro e moto uma multa de R$ 1050,00. Ela tentou tirar a carta de motorista no começo do ano passado mas não conseguiu quitar parte das mensalidades do parcelamento dos custos que fez em uma auto-escola de Marília. 
“Como fiquei sem dinheiro, não consegui cumprir com o contrato e além de perder o dinheiro que havia pago não pude trancar e este ano, quando juntei dinheiro para tentar de novo, tive de pagar tudo de novo e ainda uma multa de R$ 1050,00.”
Além disso, ela teve de reservar os gastos com o transporte coletivo e reservar 20 tardes para poder realizar as aulas práticas. “Para vir até aqui, de ônibus, preciso sair uma hora antes e depois levar mais uma hora para voltar, perdendo cerca de três horas do meu dia para poder fazer as aulas no complexo.”

Cidade conta com 112.453 condutores de carro de passeio
Cerca de 480 candidatos realizam o exame prático de direção veicular na categoria B (carro) por mês em Marília. Atualmente, existem 112.453 Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) registradas em Marília na categoria B ou de carros de passeio. 
Segundo a assessoria de imprensa, o Detran.SP articulou junto ao sindicato das autoescolas para que a obrigatoriedade do uso do simulador não interfira no custo para obter a habilitação. Até mesmo porque não haverá aumento na carga horária e o cidadão terá de pagar pelas mesmas 25 horas/aula já exigidas atualmente. A diferença é que parte dessas aulas será substituída pelo uso do simulador. 
O Sindautoescola.SP, que representa a categoria em todo o Estado, tem uma nota explicando por quais motivos não existe a necessidade de aumento de custos. Entre eles está o fato de até quatro aulas noturnas poderem ser aplicadas no equipamento, diminuindo gastos com adicionais noturnos aos instrutores. Além disso, um mesmo instrutor pode atender mais de um aluno simultaneamente no aparelho.  
As aulas no equipamento podem ser promovidas por autoescolas teóricas, práticas e as credenciadas para oferecer as duas modalidades de aprendizagem. Porém, as autoescolas não são obrigadas a terem o simulador, que pode ser utilizado de forma compartilhada. Caso tenha vindo de uma autoescdola teórica que não ofereceu aulas no simulador, o cidadão terá de se matricular em uma autoescola prática que ofereça aulas no equipamento. O contrário também pode ocorrer: se matricular em uma autoescola prática que não ofereça aulas no simulador, caso já tenha realizado as aulas no aparelho na autoescola teórica.   

FONTE:http://www.diariodemarilia.com.br/noticia/143773/simulador-pode-deixar-carteira-de-motorista-mais-cara-e-demorada

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