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O presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, renunciou nesta quinta-feira (3)

Pérez Molina é acusado de liderar uma rede de corrupção e já tinha sobre ele uma ordem de captura
O presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, renunciou nesta quinta-feira (3) ao cargo a fim de "manter a institucionalidade do Executivo".

O porta-voz oficial da presidência, Jorge Ortega, afirmou à Agência Efe que o presidente assinou a carta de renúncia às 19h (horário local, 22h em Brasília) de quarta-feira.
O objetivo, segundo o porta-voz, é "manter a institucionalidade e a ordem que corresponde dentro do Estado", além de enfrentar "de maneira individual" o devido processo.
A renúncia do presidente está agora nas mãos do Congresso do país centro-americano, que deverá aprovar ou não sua saída, e, em caso positivo, nomear o vice-presidente, Alejandro Maldonado, como novo mandatário, segundo estabelece a lei guatemalteca.
Pérez Molina é acusado de liderar uma rede de corrupção no ente arrecadador de impostos do país e desde ontem, quarta-feira, pesa sobre ele uma ordem de captura.
O general reformado perdeu sua imunidade e privilégios na terça-feira após a votação unânime de 132 deputados, depois que o Ministério Público e a Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (CICIG) o acusaram de corrupção em 21 de agosto.
De acordo com a investigação de mais de 18 meses de ambas entidades, Pérez Molina supostamente dirigia uma rede clandestina dentro da Superintendência de Administração Tributária (SAT), com a cumplicidade de pelo menos 28 pessoas, entre elas a ex-vice-presidente, Roxana Baldetti, presa desde 21 de agosto.
O porta-voz presidencial acrescentou que a decisão de Pérez Molina foi difícil, mas que, apesar dela, o presidente segue defendendo sua inocência.
No entanto, argumentou que o desenvolvimento dos eventos o obrigaram a tomar esta decisão.
O juiz Miguel Ángel Gálvez, responsável pelo caso, ditou ontem quarta-feira uma ordem de detenção contra o líder.
Ortega declarou que não sabe se este foi o estopim para que Pérez Molina decidisse deixar o cargo.
O advogado pessoal do presidente, César Calderón, havia dito ontem à Efe que, para evitar que Pérez Molina seja levado "à força" pelas autoridades, se apresentariam de forma voluntária perante o juizado esta manhã, mas não especificou a hora.
O presidente, que tomou posse do cargo em 14 de janeiro de 2012, tinha reiterado desde que foi acusado que não renunciaria para garantir a realização das eleições gerais do próximo domingo.

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