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GREVE DOS PROFESSORES DE SÃO PAULO

Professores caminham pela Rua da Consolação após assembleia que votou continuação da greve (Foto: Roney Domingos/G1)
Os professores da rede estadual decidiram em assembleia nesta tarde de sexta-feira (20) manter a greve da categoria que começou na segunda-feira. A greve tinha sido aprovada na sexta-feira (13).
A categoria afirma que o governo ainda não abriu negociações salariais, apesar de quatro pedidos de audiência. Além disso, o sindicato alega que a Secretaria de Estado da Educação (SES) acenou com 10,5% de aumento para apenas 10 mil professores que se saíram bem em uma prova, ignorando outros 220 mil profissionais da rede. O governo diz que deu reajustes acumulados de 45% nos últimos quatro anos 
Os professores realizaram caminhada desde o Masp até a Praça da República, no Centro. No trajeto, os manifestantes interditaram faixas da Avenida Paulista, Rua da Consolação e Avenida Ipiranga. No mesmo horário, movimentos sociais realizaram protesto contra a falta d'água e também afetaram o trânsito.
Segundo um dos sindicatos de professores, a Apeoesp, 40 mil pessoas compareceram à manifestação. De acordo com a Polícia Militar, por volta das 17h40, cinco mil manifestantes estavam na Praça da República.
Movimento grevista
A Secretaria de Estado da Educação (SES) diz que, nesta primeira semana de movimento, que 96% dos professores comparecem às aulas. O sindicato diz que, em levantamento preliminar, verificou que 59% da categoria aderiu à greve.

O grupo afirma que ainda não conseguiu abrir negociações com o governo estadual. Entre as reivindicações, os professores cobram aumento de 75,33% para equiparação salarial com as demais categorias com formação de nível superior, rumo ao piso do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística para Estudos Socioeconômicos), com jornada de 20 horas semanais de trabalho. Os professores protestam ainda contra fechamento de classes e contra salas superlotadas.

A Secretaria Estadual de Educação (SES) diz que não houve comprometimento das atividades escolares nesta manhã. O governo não detalhou os aumentos praticados para cada nível dos professores ao longo dos últimos quatro anos, mas defende que houve valorização da categoria.

"Nos últimos quatro anos houve um aumento acumulativo de 45% o que elevou o piso salarial paulista ao patamar 26% maior do que o nacional. Os professores ainda podem conquistar o reajuste salarial de 10,5% por meio da valorização pelo mérito ou por prática pedagógica e de 5% por meio de qualificações adquiridas durante a carreira", aponta a secretaria.

Ainda de acordo com a pasta,  "mensalmente são R$ 700 milhões empenhados nos salários dos professores, uma média de R$ 8 bilhões anualmente".

Apeosp contesta política de reajusteA presidente da Apeosp, Maria Izabel Azevedo Noronha, afirma que os 45% acumulados nos últimos quatro anos (2011 – 13,8%, 2012 – 10,2 %, 2013 – 8% e 2014 – 7%) não representa recomposição das perdas salariais. "Uma parte foi incorporação de gratificações. E outra parte foi 20% de dinheiro novo na categoria. Não sei que conta o governador está fazendo", afirma a presidente da Apeosp.

"Eu tenho que discutir com ele não o que foi, mas o que vai ser.  Porque está apontado para nós 0% de reajuste. Eu quero saber do governador quanto é que ele oferece", disse.
Maria Izabel relativiza a informação da Secretaria de que o reajuste de 45% acumulado em quatro anos faz com que o salário dos professores paulistas seja 26% maior que o piso nacional.


"Quando o piso salarial profissional nacional foi instituído, a diferença entre o piso e o nosso salário era de 59%", explicou. "Do jeito que ele [Alckmin] entende carreira, que é só por promoção de mérito, isso não está ocorrendo."
A presidente da Apeosp também rebate a afirmação de aumento de 10,5% por conta de mérito e 5% por evolução na carreira. "Aumento de 10,5% foi só pra 10 mil, mas 19 mil passaram na prova. De acordo com um critério que a gente não sabe, só 10 mil receberam 10,5%. Na rede, nós temos 230 mil. O que vão fazer os 220 mil que ficaram sem reajuste nenhum?", afirma Maria Izabel.
Sobre os 5% por meio de qualificações adquiridas durante a carreira, ela diz que elas dependem do tempo de serviço e não chegam a "2%, 3% por ano".
"É só você ir em uma escola. Peça um holerite de um professor e você vai constatar se é justo um professor no meio da carreira, 15 anos de trabalho, com 20% de incorporação, ganhar R$ 2,6 mil. E No inicio de carreira, R$ 2,04. Esse é o início de carreira de um profissional, de 40 horas semanais. Isso é justo?", questiona a sindicalista. 

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