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Protesto dos caminhoneiros causa desabastecimento.

Resultado de imagem para caminhoneiros greveO protesto dos caminhoneiros já dura mais de uma semana. Nesta quarta-feira (25), rodovias federais de 10 estados chegaram a ser interditadas e agora de manhã ainda tem bloqueio em quatro estados.
Neste momento, ainda existem trechos interditados em Mato Grosso e em todo o Sul do Brasil. São 57 trechos em 27 rodovias federais. A situação é mais crítica no Rio Grande do Sul, onde existem 22 rodovias federais e 26 nas estaduais com bloqueios.
Em Santa Catarina, os números mudam a todo o instante. Na noite desta quarta-feira (25) eram 12 os pontos de bloqueio, mas segundo a Polícia Rodoviária Federal esse número subiu agora de manhã para 21 e já baixou para 19. Alguns caminhoneiros estão liberando as pistas porque receberam autorização para estacionar em terrenos particulares como um posto de combustível por exemplo.
Lideranças na região afirmam que não houve acordo e que os bloqueios vão continuar. E os bloqueios já causam na falta de combustíveis em várias regiões do estado. Em um posto em São Miguel do oeste, já não tem gasolina desde sábado.
O estado que registra maiores problemas é o Rio Grande do Sul com 50 pontos de bloqueio. No Paraná são 14 pontos de bloqueio em oito rodovias.
Em Mato Grosso, os caminhoneiros se recusam a sair das rodovias.
Neste momento, caminhoneiros bloqueiam oito trechos das BR-364, 163 e 070, que são importantes vias de escoamento de soja. Apesar da decisão da Justiça, por enquanto não há previsão de quando as rodovias vão ser liberadas. Em um dos pontos interditados da BR-364, os caminhoneiros dizem que ainda não foram notificados pelas lideranças do movimento. Enquanto isso, os produtores agrícolas estão preocupados porque estão em plena colheita da soja e toneladas de grãos podem ser perdidos.
Justiça já determinou o desbloqueio de rodovias em onze estados.

Nesta quarta-feira (25), várias estradas foram liberadas. No início da noite, os policiais rodoviários federais chegaram à BR-153 com a decisão da Justiça. Só então os caminhoneiros desocuparam as pistas, depois de mais de 30 horas de bloqueio.

Mais cedo, outro trecho da mesma rodovia já tinha sido liberado, perto de Aparecida de Goiânia. Nesse local, manifestantes chegaram a ameaçar com pedras quem tentava furar a barreira.
Em Mato Grosso do Sul, oito trechos foram interditados ao longo da quarta-feira (25). Mas todos foram liberados durante a tarde.
O empresário Evandro César Salomão, que é dono de seis caminhões, deu férias coletivas para os funcionários. “É muito mais viável a gente ter toda a nossa frota parada que a gente tem menos prejuízo do que com elas rodando”, diz.
Em Minas Gerais, foram quatro dias de paralisação. Mas nesta quarta-feira (25), bem cedo, os agentes já estavam nas estradas para cumprir a decisão da Justiça. Ao longo do dia, todos os bloqueios no estado chegaram ao fim. “Tudo ocorreu sem maiores problemas, sem resistência dos manifestantes”, afirma Renato Messias, da Polícia Rodoviária Federal.
Na Bahia, foram desbloqueados dois trechos da BR-242 e um da BR-020. A via expressa que dá acesso ao porto de Salvador também foi liberada.
Até agora, a Justiça já determinou o desbloqueio de todas as estradas federais em seis estados. As liminares também determinam a desocupação das rodovias de 14 cidades de outros cinco estados.
No Paraná, a Força Nacional chegou nesta quarta-feira (25) à Guaíra, para ajudar na desocupação das estradas.
No Rio Grande do Sul, a polícia rodoviária precisou intervir na BR-158, em Cruz Alta. A situação foi mais tensa em Ijuí e Pelotas, onde cinco manifestantes acabaram presos por jogar pedras nos carros que tentavam seguir viagem.
Durante a tarde, um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal sobrevoou a BR-101 em três Cachoeiras para verificar como está a situação. Os caminhoneiros permanecem às margens da rodovia liberando o trânsito de veículos pequenos, ambulâncias. Caminhão não passa.
No Ceará, as pistas da BR-116 foram liberadas no fim da noite. Mais cedo, um caminhoneiro teve o para-brisa atingido por pedras, depois de avançar sobre os manifestantes, na região metropolitana de Fortaleza. Ele foi detido pela Polícia Rodoviária Federal e saiu algemado.
O Rio Grande do Sul terminou a quarta-feira (25) com mais de 60 pontos de interdição em 35 rodovias estaduais e federais. No noroeste do estado, agricultores se uniram ao movimento dos caminhoneiros. Eles queimaram pneus e bloquearam a RS-307 com tratores.
“Combustível subindo, sobe o frete, pneu, sobe tudo. Estamos vendo que isso aqui vai dar um estouro que nós não vamos conseguir produzir mais”, afirma o agricultor Luis Carlos Szast.
Na BR-101, em Três Cachoeiras, os manifestantes impediram a passagem de veículos. As ruas estreitas da cidade ficaram tomadas com mais de 2 mil caminhões. No norte gaúcho, os caminhoneiros e agricultores ficaram parados ao lado da estrada, sem interromper o trânsito, depois que os policiais entregaram a notificação.
No sul do estado, os manifestantes também cumpriram a determinação judicial e liberaram as BR-116, BR-392 e BR-293.
Esse desbloqueio ainda que parcial das estradas foi um alívio para empresários, agricultores e também para consumidores que vinham sofrendo com as estradas fechadas. Até escolas e hospitais foram afetados.
Bloqueios prejudicam transporte de soja
Os bloqueios prejudicam o transporte da safra de soja, em Mato Grosso. Os caminhões não chegam ao terminal ferroviário de Rondonópolis, no sul do estado, que manda a produção até o porto de Santos, em São Paulo. O volume transportado pelos trens caiu 30%. No norte do estado, já falta combustível para as máquinas agrícolas. “Estamos tentando buscar nos postos para tentar não parar a colheita”, diz o agricultor Nélio Bertiol
No Sul do país, mais prejuízos no campo. Em Santa Catarina, caminhões não chegam para fazer a coleta e produtores jogam o leite fora.
Bom Dia Brasil: Como você sente tendo que jogar leite fora?
Vanderlei Kleinschmidt, produtor de leite: Muito mal, é muito triste. Você trabalha para conseguir se manter.

Leite estraga nos tanques e frigorífico suspende abate de 50 mil frangos
No Paraná, o leite também estraga dentro dos caminhões. O produto que ia para as indústrias está azedando nos tanques. Em Arapongas, norte do estado, um frigorífico suspendeu o abate diário de 50 mil frangos e dispensou 400 funcionários. Foi uma decisão forçada. A empresa não tinha onde armazenar todos os frangos que saiam da linha de produção. A câmara fria já está lotada. São mais 500 toneladas em caixas. E tudo isso não tem como ser transportado porque os caminhões não passam pelos pontos de bloqueios.
“Terrível. É melhor você deixar de abater, deixar de colocar o produto em estoque, já que não tem mais espaço, do que abater e ficar tudo na estrada para perder tudo”, conta o dono da empresa Domingos Martins.

O frango que não sai dos frigoríficos faz falta nos supermercados. Além de carnes, os consumidores penam para encontrar frutas, verduras e legumes. “Não está tendo verdura de folha, essas coisas. Procurei e não achei, não”, diz a dona de casa Fátima de Souza.

Fornecedores de gás e água também já estão com os estoques vazios. “Por causa da greve dos caminhoneiros, que está tudo parado, nós não estamos conseguindo que os caminhões cheguem para abastecer a nossa empresa. O jeito foi fechar”, afirma o dono da empresa
Osmar Mechelato.

Aulas são suspensas e hospital cancela cirurgias no Sul
O bloqueio nas estradas continua provocando uma corrida aos postos e com o aumento da procura, os preços dispararam. Em Paranavaí, um gerente foi preso porque estava cobrando valores considerados abusivos.  Em Manoel Ribas, região central do Paraná, as aulas foram suspensas. Os ônibus escolares estão sem combustível.
Em Santa Catarina, um hospital de São Miguel do Oeste cancelou cirurgias que já estavam agendadas. “Em razão do cenário caótico que nós estamos passando por falta de entrega, faltas de combustível. Não sabemos quando vai ser normalizado”, afirma diretor administrativo do hospital Flamarion Lucas.
Algumas estradas começam a ser liberadas pelo país, mas a paralisação dos caminhoneiros afetou o abastecimento de mercadorias em vários pontos do país.
Comerciantes dizem que os carregamentos estão voltando ao normal. Os caminhões do Sul ainda têm problemas. Na Ceagesp, os comerciantes reclamam do preço. O mamão que semana passada custava R$ 12, agora está por R$ 22.
Governo anuncia medidas para tentar acabar com protestos
O governo anunciou uma série de medidas para tentar acabar com os protestos nas estradas, mas os caminhoneiros estão divididos.
O acordo foi anunciado depois de meia-noite, mas a questão é quem assinou o acordo. Essa paralisação nas estradas foi principalmente de caminhoneiros autônomos que não seguem necessariamente comando de sindicatos, nem mesmo dos que participaram das negociações para acabar com o protesto nas rodovias, o governo se comprometeu a sancionar a lei dos caminhoneiros e congelar o preço do diesel por seis meses.
Era quase meia-noite quando os representantes dos motoristas de caminhão saíram da reunião em Brasília mostrando o acordo assinado. Com a garantia de que a nova lei dos caminhoneiros será sancionada sem vetos.
Ela reduz o valor do pedágio para caminhão descarregado. Responsabiliza os donos das cargas por prejuízos causados pelo excesso de peso. E ainda perdoa as multas por excesso de peso aplicadas nos últimos dois anos.
O acordo prevê também que as parcelas dos financiamentos para compra de caminhão sejam suspensas por um ano. Vale para os contratos em vigor feitos por caminhoneiros autônomos e micro empresas.
Já a discussão sobre o valor do frete ficou para o dia 10 de março, quando já está acertada uma reunião entre caminhoneiros e donos de cargas, tendo o governo como mediador. Os autônomos querem uma tabela de referência de valores.
Sobre o preço do óleo diesel, uma novidade. “A Petrobras nos diz que a partir dos seus referenciais indicadores, nós podemos afirmar que não haverá, é isto que a Petrobras nos diz, nos informa, que não haverá reajuste do preço do diesel nos próximos seis meses”, anunciou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rosseto.
As entidades que negociaram com o governo só não disseram quando a greve será totalmente encerrada. “Nós pedimos a sensibilidade dos caminhoneiros em liberar as rodovias pelas conquistas que obtiveram aqui”, diz o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Autônomos Diumar Bueno.

E essa foi a condição imposta pelo governo. “Só vai ser cumprido o que nós combinamos a hora que for liberado as estradas”, afirma o ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues.

O documento foi assinado pelos ministros, Antônio Carlos Rodrigues, dos transportes, Miguel Rosseto, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e 11 entidades que representam os caminhoneiros.
fonte:http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/02/protesto-de-caminhoneiros-causa-desabastecimento-pelo-pais.html

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