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Rio Preto tem o melhores salários dos trabalhadores brasileiros e do paulistas



O salário médio do trabalhador rio-pretense em 2013 cresceu três vezes mais do que o do trabalhador brasileiro e do paulista em 2013, na comparação com o ano anterior. Os dados da Relação Anual das Informações Sociais (Rais 2013), do Ministério do Emprego e Trabalho (MTE), divulgados recentemente, mostram aumento de 11,3% no valor médio pago ao empregado na cidade, enquanto no País a alta foi de 3,1% e, em São Paulo, de 3,6%. 

Em Rio Preto, o valor pago ao empregado formal atingiu R$ 2.074,82 no ano passado, ante os R$ 1.862,53 que eram pagos em 2012, aumento de 11,3%. Para o economista Bruno Sbrogio, esse reajuste superior à média está relacionado ao movimento de transferência dos investimentos da capital para o interior paulista, com destaque para Rio Preto. E, como resultado, houve ainda um aquecimento do mercado de trabalho. "O aumento de demanda forçou o crescimento do nível do salário. 

Enquanto Rio Preto for atrativa ao investimento e apresentar níveis de crescimento acima da média, teremos um mercado de trabalho expansivo, até que o preço da mão de obra suba tanto que torne nossa cidade menos atrativa, pois o nível salarial força custos e eleva o nível de preços." Mas, as diferenças de gênero permanecem. Homens continuam ganhando mais do que as mulheres, apesar de exercerem funções idênticas. A média do salário masculino é de R$ 2.218,02 e, do feminino, R$ 1.896,34. Para o economista, dois entraves barram a igualdade salarial. 

Um é cultural, outro, financeiro. "A transformação é lenta, requer tempo e gerações para que sua absorção seja plena, tornando as diferenças menores." E, acrescenta: "a legislação protege a mulher, de forma justa, mas onera o empregador. A licença maternidade impõe custos maiores ao contratar uma mulher do que um homem." Embora o aumento médio do salário rio-pretense tenha sido maior do que o observado nos cenário nacional e paulista, na comparação com os dois, o salário médio pago ao trabalhador local continua menor. 

No Brasil, a remuneração média passou de R$ 2.195,78 para R$ 2.265,71 (3,1%), enquanto no Estado passou de R$ 2.459,47 para R$ 2.549,89 (3,6%). Das oito categorias de trabalhadores que compõem o levantamento, sete tiveram aumento, exceto a extrativa mineral, cujo salário caiu 35,5%, passando de R$ 2.798,06 para R$ 1.803,21. Mas essa classe não tem representatividade na empregabilidade de Rio Preto, já que é composta por apenas quatro pessoas. O economista José Aparecido Firmino explica que o aumento da massa salarial sempre é um fator positivo, principalmente se for um aumento real, ou seja, acima da inflação. 

"Isso indica não só uma reposição do valor de compra, mas também uma elevação na capacidade de consumo e investimento por parte do trabalhador", disse. O maior aumento entre um ano e outro foi obtido pelos trabalhadores da indústria, de 13,9%, ao passar de R$ 1.601,82 para R$ 1.825,71. Segundo o economista, é provável que esse aumento tenha sido maior em função de um realinhamento. "Isso porque o salário na indústria vinha crescendo menos que os demais setores nos anos anteriores, principalmente em função da perda da competitividade da indústria nacional", disse. 

O setor de administração pública continua sendo o melhor pagador. Quem atua nessa área teve salário médio de R$ 4.271,74. Na segunda colocação está o setor de serviços industriais de utilidade pública, com remuneração de R$ 3.676,36. Em seguida, aparece o setor de serviços, com salário médio de R$ 2.144,58. Obviamente, a remuneração acompanha o tempo de capacitação do trabalhador. Quando mais qualificado, maior seu salário. Os profissionais com ensino superior completo ganham R$ 3.846,25, enquanto os analfabetos recebem R$ 1.368,50, a menor faixa salarial.

Guilherme Baffi
Funcionários da Rio-Tech, indústria metalúrgica de Rio Preto

Na contramão, empresário torce o nariz

Se para o trabalhador o aumento salarial é uma boa notícia, para o empregador representa o aumento nos custos - e até mesmo prejuízo quando se enfrenta um período de desaceleração econômica. A esse impacto se soma a impossibilidade de repassar - nas mesmas proporções - esses custos ao mercado. 
"O lado positivo é para o trabalhador, que consegue reaver o poder aquisitivo retirado pela inflação. 
Para o empregador, devido ao baixo crescimento do País, o aumento, por vezes, acarreta em demissões para sobrevivência da empresa", afirma o gerente administrativo da Rio-Tech, indústria metalúrgica de Rio Preto que fabrica partes e peças em aço carbono, inox e alumínio, Leandro Sbrissa. A empresa emprega 220 pessoas e produz 5,4 mil toneladas de peças ao ano, vendidas no mercado interno, principalmente para clientes de estados como São Paulo, Ceará, Amazonas e Goiás. 

Segundo Sbrissa, o momento não é boa para a indústria nacional, que está sufocada e sem competitividade. Pior, as perspectivas para o fim do ano não são diferentes. "Desde junho, com o aprofundamento da desaceleração da economia, tivemos que inevitavelmente demitir para manter o equilíbrio financeiro da empresa e adequar o quadro de funcionários para a baixa demanda existente no momento." 



Análise




Boas notícias, mas nem tanto assim

Marcelo Moreira

A divulgação da Rais 2013 aparentemente explicita uma contradição em relação ao quadro geral da economia em 2014 , onde a economia desacelera e crises energética e de abastecimento de água podem agravar o desempenho geral. Ainda assim Rio Preto se destaca, no Estado de São Paulo, como uma das cidades - e a região da qual é a principal força econômica - que contunuam atraindo investimentos, embora com menos intensidade. 

A questão é que os dados da pesquisa são relativos a 2013, quando ainda havia certa euforia econômica com o desempenho geral no País e o interior do Estado se mostrava fervilhante. Foi um final de um período especialmente interessante para a região, com a instalação de novas empresas e a abertura de negócios voltado para o comércio e a área de serviços. O Shopping Iguatemi é o maior exemplo dessa atração de investimentos, liderando os R$ 5 bilhões que devem ser aplicados na zona sul de Rio Preto nos próximos anos.

Embora dos dados de 2013 mostrem vitalidade e pujança, a realidade, infelizmente, tende a turvá-los diante do freio na economia e da eventualidade de uma "recessão técnica". A indústria, que geralmente paga os salários maiores, por enquanto é a maior vítima dos problemas econômicos, e a da região de Rio Preto sente na carne: foram mais 2,5 mil demissões em 2014 e 7 mil desde outubro de 2013. E os salários mais alos, turbinados por aumentos maiores do que em outras regiões, sempre ficam na mira de tiro. 

A tendência na cidade e no Estado de São Paulo é de que haja uma acomodação no ritmo de elevação salarial e de estabilização no nível de emprego geral, com ocasionais demissões na indústria. No entanto, o ano de 2015 preocupa, muito mais pela incerteza do que por eventuais notícias ruins.



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