Buscar

Presos custam mais ao Estado que professores.



Presos ‘custam’ 330 professores por mês

"Analisando sob olhar social e de eficiência do equipamento público, o custo espanta” diz o juiz Osvaldo Soares Neto

TNOnline

Cindy Anielli

Apesar de não ofertar condições adequadas de segurança, higiene ou mesmo de socialização para os detentos, manter os presos no Minipresídio de Apucarana é uma conta que sai cara. De acordo com levantamento da Tribuna junto ao Departamento de Infraestrutura da Polícia Civil, o governo gasta R$ 2 mil por mês com cada detento, o que totaliza um custo aproximado de R$ 456 mil mensais dada a lotação da unidade. A título de comparação, cada preso custa mais ao Estado que a remuneração inicial de um professor em estágio probatório de um padrão na rede estadual, cujo salário inicial é de R$ 1,5 mil.

O custo para manter os atuais 228 detentos da unidade prisional equivale ao salário de 303 professores. Os dados são do departamento de Infraestrutura da Polícia Civil.

O levantamento de gastos inclui alimentação, manutenção da unidade prisional - água, luz e outros serviços - , funcionalismo e investimentos na estrutura. Direito fundamental do preso, a alimentação é o que menos pesa na conta. O custo das duas marmitas que compõe a principal alimentação do preso custam cerca de R$ 162,00 mensais – R$ 2,70 por marmita. Por conta da deficiência na alimentação, é permitida a entrega de alimentos aos detentos aos familiares. E é pelos pacotes de comida entregues semanalmente que também entram drogas.



Na conta também estão os salários de agentes carcerários (R$1.900) - a unidade tem 31 - e policiais civis (R$ 4 mil). A unidade está em guarda compartilhada entre a Secretaria da Justiça (Seju) e Secretaria de Segurança Pública (Sesp). Porém, os custos da são de responsabilidade da Polícia Civil. De acordo com a assessoria do órgão responsável, os gastos para manter presos em cadeias de delegacias são os mesmos de uma penitenciária. No entanto, os detentos não contam com mesma estrutura e benefícios.

“Analisando sob olhar social e de eficiência do equipamento público, o custo espanta”, comenta o juiz da 1ª Vara Criminal Osvaldo Soares Neto. O magistrado destaca que as penitenciárias têm estrutura adequada, celas respeitando número de presos e espaço para realização de atividades de estudo e trabalho. Na disso é ofertado no minipresídio. “A estrutura do minipresídio é arcaica e deficiente, sem espaço para realizar atividades, como salas de aula para estudo”, explica.

Para o delegado José Aparecido Jacovós, as unidades prisionais em delegacias estão em situação caótica devido à superlotação que influenciam rebeliões e tentativas de fugas. “Viável seria construir um presídio ou uma Casa de Custódia e Ressocialização com toda estrutura necessária para ressocializar um preso”, pontua.

Blogs

Postagens mais visitadas

HORÁRIOS DE ÔNIBUS - MARÍLIA

HORÁRIOS DE ÔNIBUS - MARÍLIA
ÔNIBUS