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Matéria Jornal Diário: 30% dos professores da rede estadual em Marília dão aula sem licenciatura.



Postado em 28/12/2013 às 01:00

30% dos professores da rede estadual em Marília dão aula sem licenciatura

Outra ocorrência registrada é o desvio de disciplinas


CIBELE MARTINS

Cerca de 30% dos docentes que lecionam nas escolas da rede estadual de educação em Marília não tem formação em licenciatura, possuem apenas curso superior em outras áreas como informática ou psicologia. Além disso, grande parte destes profissionais nem mesmo concluiu o ensino superior. Outra ocorrência registrada é o desvio de disciplinas, em São Paulo, 57% dos professores não têm a formação específica na matéria, ao menos tem diploma em área correlata (por exemplo, docente de matemática para física). Pesquisa foi divulgada com base nos dados do Censo Escolar 2012. A situação é pior no segmento de exatas como matemática, física e química.
“Com isso não temos professores, mas sim pessoas que dão aula. E desta forma não tem pedagogia e nem mesmo didática para a realização deste trabalho. Em outras profissões isto não ocorre”, informa a diretora da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado), Carmem Urquiza. A diretora cita um exemplo de uma determinada escola em que o professor de física de uma sala cursava o primeiro ano de mecatrônica.   
Para a diretora este cenário é influenciado pela falta de valorização do profissional, além da jornada desgastante, número alto de alunos por sala e a possibilidade da atribuição de aulas por pessoas de outras áreas. “Na rede municipal, por exemplo, isto não é possível. Já no Estado, apesar dos professores terem prioridade, conforme há desistência os profissionais de outras áreas assumem as salas de aula. Com o último concurso feito esta demanda deve ser reduzida, mas ainda não na totalidade”, explica Carmem.
Ela também acredita na necessidade de maior investimento na educação e plano de carreira para que outros jovens ingressem neste ramo. “Com o quadro existente hoje a qualidade de ensino é afetada, pois sabemos que o professor não pode simplesmente passar o conteúdo sobre determinada área, mas sim focar na aprendizagem e em um projeto pedagógico”.
Para a mudança desta situação, Carmem menciona a necessidade do cumprimento da lei do piso que estipula um terço da jornada destinadas a preparação das atividades extracurriculares, além da implantação de um plano de carreiras.
A vendedora Karina Alves, 19, fica preocupada com o ensino oferecido a Pedro Henrique, 4. “Cada professor deveria trabalhar de acordo com a sua área de qualificação. Pois da forma como está atualmente é difícil ter um ensino de qualidade”, comenta.  
BRASIL
 No país levantamento com base no Censo Escolar de 2012 revelou que 55% dos professores do ensino médio da rede pública não tem formação específica na área em que atua. O percentual equivale a quase 280 mil docentes. Em física, a proporção de especialistas na matéria cai a 17,7%; em química, a 33,3%. Na rede particular, a situação é só um pouco melhor: do total de professores, 47% não possuem a formação.
Na tentativa de reverter o quadro, o Ministério da Educação lançou o pacto nacional para o fortalecimento do ensino médio. A medida prevê a realização, a partir do próximo ano, do curso de formação continuada para docentes da rede pública. Serão 90 horas de capacitação, com bolsa mensal de R$ 200.
O curso do ministério terá o objetivo não apenas de atualizar o conhecimento dos professores na área de atuação como desenvolver atividades para aproximá-lo dos alunos em sala de aula.




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