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Educandário Bento de Abreu, de Marília, vai fechar depois de mais de cinquenta anos.

O Educandário Bento de Abreu, em Marília  (SP), vai fechar as portas depois de 50 anos atendendo a crianças e adolescentes em situação de risco. Atualmente 130 menores são atendidos na entidade, em meio período, onde tem cursos como o de panificação e praticam atividades esportivas.
O fim da entidade se deve a uma decisão da diretoria da Santa Casa, dona do prédio onde funciona o educandário. A decisão afeta crianças e jovens como Felipe Mendes que chegou ao educandário quando tinha 7 anos. Hoje, aos 14, ele ainda é aluno da instituição, onde prendeu música e outras atividades culturais e esportivas. A notícia de que o educandário vai fechar as portas deixou o adolescente triste. “Antes eu não tinha onde ficar, ficava em casa, ou na rua aprendendo coisa errada e quando vim para cá mudou muita coisa na minha vida. O Educandário ajuda muito na minha vida”, conta.
O anúncio do fechamento do educandário foi feito pela diretoria da Santa Casa de Marília durante uma coletiva de imprensa. O prédio, onde funciona a instituição há 56 anos, pertence ao hospital. A instituição é mantida pela prefeitura e pela Associação Amigos do Educandário, conta também com apoio de voluntários.
Santa Casa é dona do prédio onde funciona o Educandário  (Foto: reprodução/TV Tem)

Santa Casa é dona do prédio onde funciona o
Educandário (Foto: reprodução/TV Tem)

A partir do próximo ano, a Santa Casa pretende reformar o complexo para atender pacientes da fisioterapia ambulatório de tabagismo e crianças com câncer. “A Santa Casa tem uma necessidade muito grande de crescimento de área física e o local onde está o Educandário é de imediato ocupado pelo ambulatório, nós temos mais de 500 pacientes sendo atendidos nesse setor. E o serviço de fisioterapia também será remanejado para que a gente possa criar mais ambulatórios na área de saúde onde funciona hoje a fisioterapia. Outros projetos virão, mas eles demandam uma reforma do prédio que hoje está bastante precário para algumas atividades”, explica Kátia Santana, superintendente da Santa Casa. 
O secretário de Assistência Social de Marília garante que no próximo ano, as crianças e adolescentes que estudam no Educandário serão atendidos em instituições de assistência do município, como a casa do pequeno cidadão. “Temos condições de atender todos sem nenhuma exceção, tanto na zona sul como na norte e uma pequena parte que é moradora da região do bairro Altaneira. Nós vamos nos reunir com os pais para deixar claro que no contraturno escolar nenhuma criança vai ficar na rua. A prefeitura assegura as vagas nas escolas, Emeis e Emefs e nas nossas unidades do Pequeno Cidadão, nos territórios onde essas crianças e adolescentes residem”, ressalta Hélio Benetti.

No local são oferecidos cursos, como o de panificação
Mesmo assim, o diretor do Educandário teme o impacto que o encerramento das atividades pode causar na vida das crianças. “Nós não estamos saindo daqui porque queremos e sim porque o trabalho vai ser encerrado e eu percebo que nesse momento vai ser muito triste para Marília perder essa entidade, num primeiro ponto porque ela foi criada pelo fundador da cidade, ele a idealizou, então quando você tira uma entidade assim, tira algo fundacional, histórico”, destaca Agenor Lima.
O diretor se reuniu com pais de alunos do educandário para falar sobre o fim das atividades. Mas, a notícia deixou os pais preocupados.  A maioria, como Angélica de Souza Pereira, não quer transferir os filhos de instituição. "Nós deixamos eles aqui de segunda a sexta e podemos ficar tranquilo, porque sabemos que na entidade eles estão bem cuidados, tem hora do banho, alimentação", destaca.


Cerca de 130 crianças e adolescentes participam

Segundo a diretoria do educandário, há dois meses, logo depois que a Santa Casa encerrou o contrato com a congregação religiosa, que administra o educandário, a Câmara de Vereadores de Marília fez um requerimento solicitando um prazo até que a congregação encontrasse um prédio para dar continuidade no projeto. Mas, esse pedido não foi aceito.
“Eu não sou contra a Santa Casa precisar do prédio para abranger toda a necessidade hospitalar que Marília tem, eu só acho que se tem um projeto aqui de 56 anos, esse projeto tem que ser respeitado. Nós pedimos a prefeitura que nos deixassem aqui por dois anos para construir um novo local, porque a Sociedade São Vicente de Paulo queria um novo local, e não nos foi dado esse prazo”, finaliza Agenor Lima.

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