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Caminhoneiros param o país....



Caminhoneiros 
Greve se espalha pelo País e enfrenta reação do Judiciário

Combativa mobilização, que vem fechando estradas e portos, se confronta com negativa da agência governamental (ANT) em negociar e atender às reivindicações dos trabalhadores e com ação reacionária da Justiça em favor do regime de escravidão que impera nas estradas 

31 de julho de 2012


Iniciada no último dia 25, a greve dos caminhoneiros se alastrou por todo o País, está realizando bloqueios e estradas e portos e enfrentando a reação da Polícia e da reacionária Justiça à serviço dos patrões.
Procurando chantagear os grevistas e ludibriar a população, entidades patronais começaram a apontar os supostos “riscos” da paralisação. A Abrafrigo – Associação Brasileira  de Frigoríficos -, por exemplo, anunciou que “a greve dos caminhoneiros pode provocar colapso no abastecimento de carnes” (Portal Terra, 30/07/2012), sem no entanto, demonstrar qualquer disposição de atender às reivindicações da categoria.
Segundo o Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), a paralisação acontece porque os trabalhadores sequer receberam uma resposta da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) sobre as reivindicações da categoria.
Dentre as principais reivindicações dos caminhoneiros estão o aumento do valor do frete, a redução dos preços do óleo diesel e dos pedágios, a redução de 35 para 25 anos de trabalho para ter direito a aposentadoria, fim do cartão de frete, o fim do pagamento em vale e o estabelecimento de programas de saúde para a categoria, profundamente afetada por doenças ocupacionais provocadas pelo trabalho estressante e condições insalubres e periculosas de trabalho.

Com o tradicional cinismo e demagogia que lhe é peculiar diante das reivindicações e necessidades dos trabalhadores, o Congresso aprovou a chamada Lei do Caminhoneiro (que entrou em vigor desde junho passado), que entre outras questões limita a jornada de trabalho a 10 horas para os contratados e a 12 horas para os autônomos (um verdadeiro regime de escravidão). Mas nem mesmo estes limites são cumpridos, na medidas em que não fiscalização contra as empresas (somente contra os motoristas) e – como reivindicam os grevistas – não há nem mesmo pontos de apoio nas rodovias para que possam parar e cumprir a jornada de descanso.
Diante dessa situação, os caminhoneiros estão realizando bloqueios em estradas em diversas regiões do País, chegando inclusive a bloquear o acesso a portos, como aconteceu no início desta semana em Paranaguá.

Como vem acontecendo em grande números de mobilizações operárias em todo o País, Justiça – lerda quando se trata de julgar qualquer questão de interesse dos trabalhadores – não tardou em agir contra a mobilização dos motoristas. Em Minas Gerais, em resposta à ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, o juiz Pedro Pereira Pimenta sentenciou que que os caminhoneiros em greve interditem rodovias federais em Minas Gerais, estabelecendo uma multa diária de R$ 1 0 mil, contra os responsáveis no caso de ocorrência de interrupções.
Agindo clara e ilegalmente para cassar o direito de manifestação dos trabalhadores, a sentença tenta impor que os caminhoneiros não possam estacionar veículos ou obstruir e dificultar o tráfego rodoviário ordinário de veículos nas pistas de rolamento em rodovias federais localizadas no Estado de Minas Gerais e ainda quer proibir que os motoristas dificultem o fluxo de veículos perto de viadutos, pontes, curvas e locais que prejudiquem a visão dos motoristas.

Os juízes que, com suas sentenças absurdas e ditatoriais, inventaram que em certas categorias a greve só pode ser feita greve sem que haja paralisação dos trabalhadores, agora, querem que os caminhoneiros só se manifestem em locais que não atrapalhem o bem organizado trânsito nas cidades e rodovias brasileiras.
A greve dos caminhoneiros é mais um sintoma da ampla e cada vez mais generalizada tendência presente no movimento operário de sair à luta contra a situação de arrocho e expropriação dos trabalhadores que se impôs no período de relativa estabilidade da economia do País, nos últimos anos (amparada justamente neste roubo da maioria da população) a qual os patrões e o governo buscam intensificar para atender aos vorazes apetites do grande capital em crise.

Para fazer vitoriosa a mobilização dos caminhoneiros, como em quase todas as categorias, é preciso enfrentar e derrotar a verdadeira ditadura do judiciário contra os trabalhadores, expressa na tentativa de cassar o direito de greve e até mesmo o direito de manifestação dos caminhoneiros e de tantas outras categorias.

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