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100 DIAS DIAS DE GREVE DOS PROFESSORES DA BAHIA


GREVE NA BAHIA CHEGA AOS 100 DIAS, MAS ALGUNS ALUNOS COMEMORAM VOLTA ÀS AULAS

Em colégio na periferia de Salvador, estudantes sentem alívio com o retorno do ano letivo ainda sem previsão em outras escolas

Fonte: iG
Natalie Santos Ruiz, 17 anos, não aguentava mais as férias forçadas. Desde 11 de abril, matava o tempo, que lhe parecia interminável, em casa, vendo jornais na televisão, na esperança de ouvir a notícia tão desejada: o fim da greve dos professores da rede pública estadual da Bahia, que, nesta quinta-feira (19), atinge a marca de 100 dias.

A novidade não foi anunciada oficialmente pela categoria, mas a estudante teve mais sorte que outros que ainda estão sem aula. Aluna do primeiro ano do ensino médio do colégio estadual Renan Baleeiro, em Águas Claras, na periferia da capital baiana, ela voltou aos estudos na última terça-feira (17).
Em busca do tempo perdido, a jovem já sabe o que lhe espera nos próximos meses: nada de férias até março do ano que vem e adeus sábados de ócio. Tudo isso para cumprir a determinação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 200 dias letivos por ano.
"As aulas serão mais corridas, sem o professor se aprofundar muito na matéria. Mas graças a Deus que, para a gente, a greve acabou", disse Natalie, ao lado de Diana, sua irmã de 15 anos, com quem estuda na mesma turma. "Eu concordo com ela. Não estou preocupada, mas alguns alunos talvez se prejudiquem porque não vão pegar os assuntos direito", afirmou Diana.
Estudante na mesma escola, Eleilson da Silva, 18, também se declarou descontente com a prolongada folga compulsória dos livros. Funcionário de um supermercado do bairro, disse que mudou seus hábitos com a paralisação acadêmica. Em vez de acordar cedo, como costumava fazer, passou a ficar na cama até mais tarde, o que o desgostou. "Antes, eu tinha uma disciplina...", disse o aluno, lamentando o mal que a greve lhe fez.
Natalie, Diana e Léo se somam aos demais 1.109 estudantes do Renan Baleeiro, que já saíram da agonia ainda sem data para acabar para muitos outros alunos. Embora uma assembleia de professores esteja marcada para esta sexta-feira, um acordo com o governo ainda parece distante.
No colégio que em 2011 homenageou os 90 anos do sambista Riachão, promove baile com valsa em todos os dias dos namorados e ostenta no seu uniforme o rosto de Bob Marley, os professores explicam o retorno antes da decisão oficial dos colegas em função dos anseios de alunos e pais.
De acordo com o diretor da instituição José Mário Conceição Zeferino, o Mazé, a decisão se deu de forma consensual entre ele e os professores da escola – 21 efetivos permanentes e 12 temporários.
"Nós nos comunicamos via internet, estamos sempre em contato pelo Facebook, por email. Assim, decidimos retomar as nossas atividades. Na segunda-feira (16), fizemos uma reunião de preparação para o retorno. De certa forma, é contraditório [sair da greve] porque nós também somos professores, mas sentimos a necessidade dos meninos e dos pais de querer voltar [às aulas]. Queira ou não, o lugar de aprender e estudar é na escola", disse Mazé. Também pesou o fato de o governo do Estado ter cortado três meses de salário dos grevistas.
O professor de Matemática Alfredo Lima de Oliveira declarou que vai revisar o conteúdo dado até a suspensão das aulas antes de introduzir novos assuntos. "O retorno tem que ser paulatinamente porque, como nós paramos por muito tempo, estamos fazendo revisão para concluir essa primeira unidade. Como muita coisa foi esquecida, temos que retomar, fazer as avaliações que nós ainda não tínhamos feito e aí, sim, concluir a unidade e se basear no calendário de reposição de aulas. A aula não pode ser corrida nem com uma grande quantidade de assuntos, pois isso compromete o aprendizado", disse o professor.
Terceiro ano voltou antes
Os cerca de 100 alunos do terceiro ano do Renan Baleeiro voltaram aos estudos no mês passado, juntos a aproximadamente outros 22 mil estudantes de Salvador da mesma série, em uma medida da secretaria estadual de Educação. Para dar essas aulas, o governo convocou 706 professores temporários e 545 em estágio probatório, que lecionaram em 19 escolas-polos. Logo, ficaram juntos na mesma sala estudantes de várias unidades diferentes.

Insatisfeitos por terem sido deslocados para o colégio estadual Raimundo Gouveia, no Castelo Branco, os alunos do Renan Baleeiro enviaram ofício à secretaria pedindo para ter aula nas suas próprias instalações. A solicitação foi aceita no dia seguinte.
"Foi bom voltar a estudar aqui porque temos mais segurança, não precisamos gastar dinheiro com transporte e, lá, não tinha amizade com os professores nem com os gestores", disse Jeiciele de Jesus, que no fim deste ano vai prestar vestibular para direito.
Sua colega Érica Tavares disse não ter se inscrito no Enem e no vestibular. Ela, que pretende ser médica, afirmou não se sentir preparada para esses exames já que ficou muito tempo sem estudar. "Voltamos às aulas, mas não teremos aquela boa base para aprender o conteúdo das matérias", afirmou.
Adesão à greve
Os números da secretaria e do sindicato são divergentes em relação à greve. O governo do Estado alardeia que o ano letivo não será perdido. De acordo com seus dados, 1.139 das 1.411 escolas do Estado funcionam normalmente, índice superior a 80%. São cerca de 780 mil estudantes sem aula.

"Isso não é verdade. O governo está desesperado. Basta ir nos colégios Central, Iceia e Severino Vieira, por exemplo, para ver que estão fechados", responde o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), Rui Oliveira, citando tradicionais escolas públicas da capital baiana. O sindicato sustenta que a greve teve adesão de 30 mil professores. Um milhão de estudantes estão fora das salas.
O estopim da paralisação, afirma a APLB, foi o descumprimento de acordo que prevê reajuste, este ano, de 22,22% de reajuste salarial. Desse quantitativo, 7% e 7,26% pagos em 2012. O governo acenou com aumento de 7% em novembro, a ser dado em professores que passaram por curso de qualificação do Estado, e 7% em março do próximo ano.
Na última quarta-feira, os docentes enviaram ao Ministério Público estadual proposta na qual, além do reajuste, pedem reposição dos salários cortados, volta dos repasses ao sindicato, readmissão de professores demitidos e que os grevistas não respondam a processos administrativos, entre outras demandas. Por sua vez, o MP afirmou que não vai mais servir de mediador nas negociações com o governo. No entanto, o órgão recebeu as demandas e vai decidir para onde vai encaminhá-la. 

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