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Reportagem: O abismo na educação....


DADOS SOBRE EDUCAÇÃO BÁSICA REVELAM ABISMOS EM REGIÕES DA CAPITAL PAULISTA

Informações sobre retenção, distorções de idade adequada à série e até nível de formação dos docentes mostram que diversidade da capital paulista se reflete na sala de aula; Prefeitura reconhece problema e afirma que discute como combatê-lo

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP)

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Dados sobre a Educação municipal de São Paulo mostram que a diversidade da capital paulista também se reflete nas salas de aulas da rede ligada à Prefeitura. Recortes sobre retenção de Alunos, distorção de idade adequada à série e até nível de formação de Professores revelam abismos nas comparações entre as subprefeituras da cidade - apesar da melhora na média. Em alguns casos, regiões vizinhas têm resultados com mais de 100% de disparidade.

É o caso quando a análise recai sobre os índices de retenção. Esse dado é um importante recorte de avaliação da Educação, usado, por exemplo, no cálculo de rendimento Escolar que compõe o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). As Escolas da região da subprefeitura de Cidade Ademar, na zona sul, tinham em 2010 o pior resultado, com 7,98% de reprovação. O resultado é mais que o dobro da subprefeitura com o melhor aproveitamento nas aprovações: Parelheiros, também da zona sul, com retenção de 3,04%.
Apesar de representarem os extremos da cidade, as duas regiões são vizinhas e de uma região das mais carentes da capital. Chama a atenção que essa desigualdade sem regionalidade definida pode ser vista em outros índices da Secretaria Municipal de Educação (mais informações nesta página).
A taxa de distorção de idade - que representa o volume de Alunos com idade superior à recomendada para a série - também é espelho dessa realidade. A área da subprefeitura de Jaçanã/Tremembé, zona norte, tem o melhor resultado, com 10,6%. A vizinha Freguesia/Brasilândia tem um resultado 57% pior: 16,6% dos Alunos da região estão atrasados na Escola.
A dona de casa Maria Lucicleide de Oliveira, de 38 anos, vive essa realidade em casa. O filho Alexandre, de 15 anos, está fazendo pela segunda vez neste ano a 7.ª série. Segundo Maria, foi ela quem foi à Escola - o CEU Paz, na Brasilândia - e insistiu que seu filho não passasse de ano. "Eu quis que ele fosse reprovado, tinha faltado muito e achei que ele não tinha como passar."
Alexandre conta que preferia ficar em casa, na frente da TV, a frequentar a Escola. "As aulas eram muito chatas, não tinha motivo nenhum para ir lá."
A especialista em gestão educacional da Fundação Itaú Social, Patrícia Mota Guedes, afirma que o poder público precisa ficar atento a diferentes motivos de problemas com rendimento. "Esses resultados apontam para a necessidade de se considerar fatores interEscolares que afetem o rendimento dos Alunos. Muitas vezes, comete-se o erro de achar que só os indicadores socioeconômicos justificam evasão, frequência e aprendizagem, mas isso não é verdade", disse.
Professores. A líder comunitária Duilia Domingues Simões, de 49 anos, que tem um filho de 12, reclama da falta de preparo de Professores. "A reclamação que recebemos é de que há poucos Professores bons, a maioria é mal preparada, não motiva os Alunos", diz ela, moradora da Brasilândia.
A crítica de Duilia pode explicar um pouco as diferenças entre as Escolas. A opinião é do Educador Jorge Werthein, ex-representante da Unesco do Brasil. "Professores e diretores têm formação diferente e eles são os grandes responsáveis pelo perfil da Escola", afirma. Segundo Werthein, o contraste regional na rede municipal é característico de grandes cidades, como São Paulo, Buenos Aires e Nova York. "A Educação faz parte da luta contra a desigualdade. Obviamente, é necessário uma política de reforço de discriminação positiva."
Avanço. As médias da cidade como um todo têm apresentado avanços, segundo os indicadores. Entre 2009 e 2010, a rede teve uma pequena melhora tanto no fluxo - com redução nas taxas de reprovação - quanto na distorção de idade, com um porcentual menor de Alunos atrasados.
Além disso, os dados da rede municipal são mais positivos do que as médias nacionais. A retenção no município representa, por exemplo, metade do índice do Brasil, que é de 10%.
A Prefeitura reconhece a diversidade. A Secretaria de Educação informou que discute com a rede o Índice de Qualidade da Educação (Indique), que servirá para nortear as ações da pasta com base nas diferenças locais e necessidades de cada Escola ou região
Campo Limpo atende apenas 43% da demanda por creches
Na região de Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, menos da metade das famílias que tentaram matricular o filho em uma Creche municipal no ano passado teve sucesso. A subprefeitura é a campeã da cidade na falta de vagas para as crianças entre 0 e 3 anos e 11 meses de idade: atende a apenas 43% da demanda.

O porcentual é somente três pontos maior do que o registrado em 2009:40%. No último relatório divulgado pela Secretaria Municipal de Educação, de abril deste ano, havia 5.325 crianças na fila de espera.
A segunda colocada nesse rol de falta de atendimento também fica na zona sul. Na subprefeitura da Cidade Ademar, só há vagas para 48% da demanda. Logo depois vem a região de M'Boi Mirim, que supre apenas a metade dos interessados.
E, apesar de a falta de vagas em Creches ser um problema antigo em São Paulo, a média de atendimento na cidade toda, considerando as 31 subprefeituras, é de 67%, apenas cinco pontos maior do que o registrado em 2009. Em abril deste ano, a fila de espera tinha mais de 123 mil crianças.
"O esforço do município foi muito pequenos nos últimos anos, principalmente nessas regiões de alta vulnerabilidade social", diz Ester Rizzi, assessora da ONG Ação Educativa. "É comum a secretaria alegar que a falta de terreno e as ocupações irregulares da periferia dificultam as construções. Mas isso não é desculpa", afirma.
Menos atendimento. Apesar do discreto aumento de 5% no total de atendimentos do município, quase um terço das subprefeituras diminuiu seu porcentual em até 4% nos últimos três anos. Um problema que acomete tanto bairros centrais como periféricos. Na Penha, na zona leste, o índice caiu de 69% para 65%. Na Lapa, na zona oeste, diminui de 77% para 73%.
Em nota, a Secretaria de Educação disse que as matrículas em Creches cresceram de 60 mil em 2005 para 203 mil em 2012. De acordo com informações da pasta, algumas regiões impõem um desafio maior devido a impedimentos para construções. Seria o caso da zona sul, por exemplo, onde estão as áreas de manancial.
Parelheiros tem menos docentes com diploma
Mais de 24% dos Professores das Creches municipais da subprefeitura de Parelheiros, no extremo sul de São Paulo, não possuem diploma de Ensino superior. Na pré-Escola, o índice é de 15,6%. Essa subprefeitura é a que tem o maior porcentual de Docentes sem curso superior - praticamente o dobro da média da capital paulista.

Pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, todos os Professores da Educação básica deveriam ter curso superior. Por ter baixa densidade populacional, as unidades de Ensino do extremo sul da cidade têm historicamente mais dificuldade de atrair Professores de outras regiões - o que explicaria em parte os indicadores de nível de formação dos Professores por região. Porque em segundo lugar nesse quesito aparece a subprefeitura de Pinheiros, zona oeste.
Uma das regiões mais ricas e com melhor infraestrutura da cidade, Pinheiros tem em suas Escolas de Ensino infantil número considerável de Professores sem formação adequada. Nas Creches, o porcentual de falta de diploma é de 23,1%. Na pré-Escola, entretanto, o número desaba e fica em 3,3%.
A média da cidade tem melhorado desde 2009. No ano passado, 5,5% dos Professores da rede tinham apenas o Ensino médio. A realidade também atinge o Ensino fundamental, onde 2,1% não têm diploma.

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