Buscar

Parte dos professores da rede estadual de São Paulo está sem receber salário desde o começo das aulas, há três meses.


Todos Pela Educação

SÃO PAULO ATRASA SALÁRIO DE PROFESSORES

Parte dos docentes temporários do Estado está sem receber desde o início das aulas, em fevereiro; secretaria alega "problema burocrático"

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP)


Parte dos professores da rede estadual de São Paulo está sem receber salário desde o começo das aulas, há três meses. Os atrasos do governo do Estado atingem professores contratados (que não são concursados). Há casos em que o pagamento está previsto para ocorrer, no mínimo, no mês de junho.
A Secretaria Estadual de educação não informou exatamente quantos professores não receberam pagamento. Cerca de 29 mil docentes são temporários e trabalham regidos por contrato - 13,4% do total da rede. A reportagem conversou com 12 docentes que atuam como temporários - eles trabalham em escolas em vários locais da capital e do interior do Estado.
Em fevereiro, a gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB) havia informado que atrasos poderiam acontecer com ingressantes na rede por causa de problemas de cadastramento. Apesar disso, todos seriam pagos na segunda quinzena de março. Mas nada disso se concretizou. A falta de pagamentos atinge professores que já atuam na rede há pelo menos um ano, alguns com contratos em vigência. Muitos nem sequer têm previsão de receber. E continuam da mesma forma.
A professora de Língua Portuguesa Carina Siqueira, de 24 anos, dá aulas na escola Maria Isabel Fontoura, na zona rural e Cachoeira Paulista, interior de São Paulo. Ela atua na rede há mais de 5 anos como contratada. Seu último contrato, com vigência de um ano, foi firmado em setembro - mesmo sem passar por renovação, não recebeu.
"Estou dando aulas desde a primeira semana de fevereiro e não recebi nada até agora. Neste mês, meu salário não foi provisionado e não vou receber de novo. Ninguém sabe explicar o porquê, é muito humilhante", diz ela, que mora em Lorena. "Tenho de pegar dois ônibus para dar aula e estou pedindo dinheiro para meu pai. Só estou comendo por causa dele e de outros bicos que tenho feito."
O caso não é isolado. professora no Estado desde 1991, Janice Aparecida da Silva, de 40 anos, chegou a receber em fevereiro, após muitas reclamações. Nos meses seguintes, entretanto, ficou sem ver o dinheiro. "Não consegui comprar os remédios que são de uso contínuo. Ninguém explica nada. Na escola, a culpa é da secretaria. Na diretoria de ensino, é da secretaria, que diz que a culpa é da Fazenda", diz ela, que está de licença médica. No mês de maio, o pagamento apareceu no holerite, mas abaixo do que ela tem direito.
Na escola de Juliana, que pede para não ser identificada por medo de represálias, na zona sul da capital, há três professores sem pagamento. "Estou contando com ajuda da minha mãe para pagar as minhas contas e as do meu filho de 9 anos", diz ela, que trabalha no Estado desde 2009.
"Absurdo". Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em educação (CNTE), Roberto Leão, o Estado de São Paulo se destaca quando o assunto é atraso de salários. "Isso é um absurdo, em dias que se fala em computação, com tudo informatizado, ter problemas de cadastro, desorganização, é inacreditável", afirma.
Em nota, a secretaria alega problemas burocráticos e defende que os casos são pontuais. Segundo a pasta, "as diretorias de ensino serão orientadas a verificar casos de profissionais que eventualmente não tenham recebido seus vencimentos para que situações como essas sejam regularizadas". A secretaria também não deu prazo para normalizar a situação.
Problemas também afetam concursados
A falta de pagamentos não é exclusividade dos professores temporários. Docentes concursados também têm enfrentado problemas com o salário.
O professor de Biologia e Ciências Wagner de Souza Signore, de 29 anos, ingressou na rede como efetivo em fevereiro deste ano, após 8 anos atuando como contratado. Nesse período, Signore conquistou benefícios que se traduzem em aumento. Quando foi efetivado, deveria ter carregado esses avanços, mas ocorreu o contrário: seu salário caiu e sua condição é de iniciante.
"Estou na rede há 8 anos e nesses anos tive evoluções por tempo e títulos, além de aumento pela realização da prova do mérito. Neste ano, acabei efetivando, só que até agora não recebi pelas minhas conquistas", diz Signore, que leciona na escola Estadual Circe Teixeira Musa e Silva, de Atibaia, interior de São Paulo. Até o ano passado, ele recebia R$ 2.500 e no próximo quinto dia útil de maio receberá R$ 1.900.
"Na diretoria, dizem que o problema é na Secretaria de educação. Mandei um e-mail para a ouvidoria na quarta passada, e nada de resposta. É desmoralizante", reclama. Quando viu o holerite deste mês, o professor chegou a comemorar. "Agora vão começar a pagar certo. Porque até o mês passado ainda estavam me pagando por menos horas do que eu trabalho."
A reportagem encaminhou o caso para a Secretaria Estadual de educação. A assessoria de imprensa, no entanto, não deu resposta sobre o caso. 
Faltam docentes nas escolas estaduais
Os estudantes das escolas estaduais de São Paulo têm se acostumado com a ausência de professores, principalmente nas disciplinas de arte, geografia, sociologia e matemática. A falta de docentes atinge a rede e preocupa a Secretaria Estadual de educação - que já liberou a convocação de profissionais reprovados em exame do Estado e de alguns que nem fizeram essa prova.
Em escolas como a Prof.ª Ondina Rivera Miranda Cintra, em Santo André, Região Metropolitana de São Paulo, a falta de professores é grave e coloca em risco o ano escolar dos alunos. Um docente ouvido pela reportagem diz que há turmas que só tiveram duas aulas de geografia desde o início das aulas.
A pasta defende que o déficit de professores no Estado é de apenas 0,6% em todo o Estado. Significa dizer que para suprir aulas livres e em substituição de toda a rede estadual seriam necessários cerca de 1,3 mil professores - considerando a média de 23 aulas por docente.
A secretaria não detalha quantas escolas sofrem com a ausência de professores e quais regiões são mais atingidas.
Segundo o professor Volmer Pianca, diretor do Sindicato dos Especialistas de educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo), a situação da falta de professores tende a piorar nos próximos anos. "Só este número de 1,5 mil já é um absurdo. E as coisas vão se complicar porque a juventude não está mais optando por licenciaturas porque a carreira de professor não é mais atraente. A começar pelo salário inicial, que é base comparado com outras carreiras. E toda a estrutura das escolas é desestimulante", diz ele. A Udemo é o sindicato dos diretores de escola.
Em nota, a secretaria afirma que a situação deve melhorar com o passar dos anos por causa da política salarial adotada pelo governo - o projeto do Estado prevê para o quadriênio de 2011 a 2014 o aumento acumulado de até 42,2% para o magistério.
A pasta defende que, por ser muito grande, a rede tem uma movimentação constante. As causas são falecimentos, aposentadorias, exonerações, demissões ou afastamentos temporários. O governo informou que vai publicar edital para novo concurso público de professores no próximo semestre, quando promete ter convocado pelo menos 32 mil aprovados em 2010.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores

Seguidores Blog Cidade de Marília

HORÁRIOS DE ÔNIBUS - MARÍLIA

HORÁRIOS DE ÔNIBUS - MARÍLIA
ÔNIBUS